Duas realidades

            Nesse tempo de transição, ressalta-se a presença de duas realidades distintas nas profundezas do inconsciente do ser humano: – a realidade divina e a realidade humana.

             A primeira diz respeito a sua origem transcendental, por criação de Deus, composto de potências latentes, orientadas por atração – o tropismo divino – e prontas a atuar para seguir o caminho da redenção. Trata-se do “eu profundo”, do “eu cósmico”, da centelha divina que confirma a essência do ser humano e o leva, inevitavelmente, ao fatalismo da plenitude. “Vós sois Deuses”.

            A segunda considera arquivos de experiências passadas, com heranças atávicas, presentes na vida atual, algumas representadas por impulsos que afloram em ação repentina, de difícil desengajamento do comportamento pessoal.

            Uma representa a força diretora permanente, com objetivo definido de iluminação. A outra, passageira, impõe ilusões perturbadoras que dificultam a marcha ascensional.

            O mergulho no inconsciente e a criação do hábito da interiorização, como condição de melhor conhecer essas duas realidades, possibilitam ao indivíduo identificar e responder o que fazer, quando e como proceder diante de tão complexo momento de mudança em nosso planeta.

por José Lucas de Silva Cruzado 6294

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Ética Militar Espírita

A profissão militar é detentora de uma ética própria, baseada em quatro pilares tradicionais: o Sentimento do Dever, a Honra Pessoal, o Pundonor Militar e o Decoro da Classe. Esses pilares, bem como os atributos a eles orgânicos, encontram-se em concordância com aquilo que Alfred de Vigny explicitou tão bem em seu livro “Servidão e Grandeza Militares”, com todos os paradoxos ali relatados. Assim é que nossa profissão pode nos proporcionar momentos de singulares realizações pessoais no serviço da coletividade, em tempos de paz ou de guerra, mas pode também nos impor os maiores sacrifícios e atribulações em tempo de guerra, como, por exemplo, tirar a vida dos nossos inimigos.

A ética militar é, portanto, bastante complexa, na medida em que às bases da filosofia grega e dos princípios da Ética Cristã somam-se os princípios agregados pela Ética do Dever e pelo Utilitarismo dos filósofos britânicos. O pensamento kantiano, ao posicionar o cumprimento do dever como a mais alta das virtudes, alinha-se, de forma que talvez o próprio Kant não tivesse imaginado, ao Utilitarismo, que prega a busca do maior bem para o maior número de pessoas, e à Ética Militar, sintetizada no compromisso do soldado de defender a Pátria com o risco da própria vida. Não há novidade neste último ponto, uma vez que a existência do soldado se justifica pela sua prontidão em defender a Pátria, de armas na mão – o que, em última instância, em tempo de guerra, levará à perda de vidas humanas. Todavia, é evidente que esse raciocínio se choca frontalmente com alguns princípios da Ética Cristã, em particular no que se refere ao mandamento “Não Matarás”.

Há confissões religiosas em que tal conflito é percebido de forma mais assertiva e tido, de certo modo, como incontornável. Isso levou à inserção, no parágrafo 1º do artigo 143 da Constituição de 1988, de dispositivo destinado a atender a tais objeções de consciência em tempo de paz. De um modo ou de outro, o profissional das armas que meditar sobre os compromissos que assume ao incorporar-se às Forças Armadas sentirá o peso dessa aparente incoerência. Todos nós, militares, mais cedo ou mais tarde, passamos por esse momento.

De minha parte, a Doutrina Espírita exerceu papel decisivo na decisão que tomei de prosseguir na profissão militar após a conclusão do curso preparatório, uma vez que naquele momento o Espiritismo já embasava, em grande medida, a minha visão de mundo.

Posso dizer que a Doutrina Espírita, mediante o princípio da reencarnação, passou a representar para mim uma ponte entre a ética cristã e a ética militar. O conhecimento recém-adquirido, revelador da imortalidade do espírito sob um novo prisma, facultou-me o seguinte raciocínio: o serviço da Pátria impõe-me o dever do sacrifício da própria vida ou um outro, ainda maior, que é o de tirar a vida de meus semelhantes; se, por infelicidade, esta última hipótese vier a se concretizar, terei a confortar-me a certeza de que, em futuras reencarnações, surgirão oportunidades de resgatar esses atos praticados em prol de um bem maior.

Naquele ponto da caminhada, o Espiritismo já me havia levado a compreender, de maneira prática e descomplicada, como os princípios e valores que trazia do ambiente familiar encaixavam-se com perfeição no estilo de vida profissional militar. Já percebia com nitidez por que a responsabilidade precisa ter precedência sobre a liberdade; percebia a relevância do cuidado com o preparo próprio, da lealdade, da camaradagem, da dedicação integral e do espírito de sacrifício como fundamentos, tanto da vida na caserna quanto da vida em família.

Logo entendi que esses eram os pressupostos a serem atendidos para que eu, noite após noite, pudesse deitar a cabeça no travesseiro com a consciência de não apenas ter evitado a prática do mal, mas sobretudo de ter feito todo o bem possível. A noção de integridade, com todas as suas servidões, ganhava forma em meu modo de ser. Foi assim que a Doutrina Espírita veio, em grande medida, dar sentido à minha existência. Quase meio século transcorrido, percebo o quanto fui privilegiado em tê-la conhecido e abraçado tão cedo e em ter de algum modo contribuído para conservá-la viva nos corações e mentes de toda a nossa Família.

por Décio Luís Schons Cruzado 5418

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Médium, Mediunidade e Fenômeno Mediúnico

O tema “Médium, Mediunidade e Fenômeno Mediúnico” permaneceu por muito tempo na categoria dos assuntos frívolos, dos meros passatempos, das diversões. Por outro lado, gerava também uma percepção de algo “proibido”, de “sobrenatural”, de “contrário à Lei de Deus”.

A Doutrina Espírita trouxe luz, seriedade e entendimento ao investigar e estudar o assunto sob os fundamentos e princípios da ciência, sem perder de vista as decorrentes implicações filosóficas e religiosas.

A mensagem de Allan Kardec, na introdução do “Livro dos Médiuns”, alerta para a relevância das nossas relações com o “mundo espiritual”, bem como para suas implicações nas nossas vidas:

– “Dirigimo-nos aos que veem no Espiritismo um objetivo sério, que lhe compreendem toda a gravidade e não fazem das comunicações com o Mundo Invisível um passatempo”.

Recorremos novamente ao “Livro dos Médiuns” para entender o significado do termo médium e encontramos a definição de que médium é “toda pessoa que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos”.

Referindo-se à mediunidade a obra citada ainda esclarece que “essa faculdade é inerente ao homem e, por conseguinte, não constitui um privilégio exclusivo […] Pode-se, pois, dizer que todos são mais ou menos médiuns”.

Depreende-se das citações apresentadas que a Doutrina Espírita entende a faculdade mediúnica, ou seja, a mediunidade, como uma faculdade comum a todos os seres humanos. Todos nós somos “mais ou menos médiuns”, pois sentimos, em graus diferentes, a influência dos Espíritos. Todos somos médiuns em potencial.

O médium e orador espírita Divaldo Pereira Franco ressalta que a mediunidade é uma faculdade de intercâmbio espiritual inerente ao Espírito, cuja manifestação é favorecida, em maior ou menor grau, por determinada predisposição orgânica e/ou perispiritual.

Podemos considerar que os denominados fenômenos intuitivos caracterizam a existência da mediunidade comum a todos os indivíduos, porém, embora significativos, não constituem a faculdade “ostensiva” dos chamados “médiuns ativos”.

Seguimos, na nossa reflexão, ainda com base nos conceitos contidos no “Livro dos Médiuns”, a respeito da mediunidade. Destacamos, porém, que “usualmente essa qualificação só se aplica àqueles em quem a faculdade se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade […]”

Podemos considerar como “efeitos patentes” os fenômenos mediúnicos, que variam em “intensidade” e que se mostram “bem caracterizados”.

Daí a Doutrina Espírita considerar médiuns “ativos” ou “ostensivos” aqueles que são capazes de intermediar, de forma mais “intensa”, ou seja, ” bem caracterizada”, a comunicação com o “Mundo Invisível” (Mundo Espiritual).

Nesse sentido, Kardec contou com a colaboração de diversos médiuns que, intermediando a comunicação com o “Mundo Invisível”, possibilitaram ao codificador receber as informações e os conhecimentos para sistematizar os fundamentos e princípios da Doutrina Espírita.

Fato inquestionável é que a Doutrina Espírita surgiu a partir das comprovações científicas dos fenômenos mediúnicos, se consolidou e segue disseminando sua ação consoladora e de divulgação da mensagem do Cristo por intermédio de inúmeros médiuns.

A observação de Kardec, expressa no “Livro dos Médiuns”, de que a mediunidade, também denominada por ele faculdade mediúnica, não se revela da mesma maneira em todos. Geralmente, os médiuns têm uma aptidão especial para os fenômenos desta ou daquela ordem, de onde resulta que formam tantas variedades quantas são as espécies de manifestações. As principais são: a dos médiuns de efeitos físicos; a dos médiuns sensitivos, ou impressionáveis; a dos audientes; a dos videntes; a dos sonambúlicos; a dos curadores; a dos pneumatógrafos; a dos escreventes, ou psicógrafos.”

O estudo e a educação da mediunidade e, consequentemente, a sua manifestação responsável nos fenômenos mediúnicos é tarefa inadiável de todos nós espíritas, que almejamos servir na Seara do Mestre. Paz em Cristo!

Paz em Cristo!

Por Moacir Wilson De Sá Ferreira

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O Espiritismo e seu Aspecto Religioso

A popularização do Espiritismo no Brasil levou, com o passar dos anos, a que muitas pessoas tivessem da Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec uma visão limitada, como se ela fosse mais uma seita ou corrente religiosa no âmbito do Cristianismo. Percebe-se em algumas casas espíritas uma tendência ao igrejismo, à rigidez de procedimentos e até mesmo ao estabelecimento de rituais, em completo desacordo com o preconizado pelos mensageiros espirituais que transmitiram a Kardec, por intermédio de centenas de médiuns em muitos países, as bases da Doutrina e a universalidade do ensino dos espíritos.


É preciso que nós, espíritas, jamais percamos de vista os fundamentos da Doutrina que abraçamos. Esses fundamentos, como já ressaltado de início, encontram-se nos livros da Codificação e conferem à Doutrina três aspectos: o filosófico, o científico e o religioso. O aspecto filosófico trata de buscar as causas primeiras e responder aos porquês, de estudar as finalidades e as motivações dos fenômenos espíritas, situando-os no contexto de toda uma cosmogonia cambiante porque evolutiva. Esse aspecto constitui o pilar central do Espiritismo e nos remete à presença da Inteligência Suprema, causa primária de todas as coisas. O aspecto científico veio nos trazer a informação sobre a maneira como os fenômenos acontecem, com a utilização dos mesmos métodos indutivo e dedutivo utilizados pelas ciências físicas e biológicas, à época em pleno amadurecimento.


Tratando agora do aspecto religioso, é interessante que nos detenhamos brevemente sobre a origem da palavra religião e sobre os significados e os entendimentos que ela ensejou ao longo da história. A palavra religião, como sabemos, tem sua origem etimológica no verbo latino “religare” e seu significado lato em português não requer maiores elaborações. A questão que se coloca é sobre a espécie de religação de que estaríamos tratando.


Para as religiões cristãs tradicionais, o ser humano estaria, a partir do milagre da criação, ligado a Deus por sua própria natureza. Lamentavelmente, o pecado original (expressão interessante, que poderia ser tema de outro artigo) teria vindo interromper essa comunhão. A ligação entre o ser humano e a Divindade somente poderia ser restabelecida mediante o sacramento do batismo.


Para a Doutrina Espírita, o ser humano, assim como tudo que existe no universo, jamais deixou de estar ligado à Divindade pela sua própria origem. Na verdade, com a aquisição da consciência (esse, no meu entendimento, o verdadeiro pecado original) que o distingue dos demais seres vivos, o ser humano descobre sua finitude e passa a propor a si mesmo as questões existenciais que todos conhecemos muito bem.


É a partir desses questionamentos e das respostas correspondentes que a religação com a Divindade foi ganhando existência nas mentes e nos corações dos integrantes da espécie humana. É precisamente a essa religação que a Doutrina Espírita alude ao estabelecer o seu terceiro aspecto, a partir dos outros dois, o filosófico e o científico.


O verbo religar, por conseguinte, não carrega aqui o significado de refazer uma ligação que em algum momento teria sido desfeita, muito ao contrário. O aspecto religioso do Espiritismo tem a ver com o estabelecimento da ligação com a Divindade em outro nível, mediante o uso da nossa inteligência e consciência, para compreender e assimilar o verdadeiro sentido de nossa breve permanência como seres encarnados neste planeta. Isso explica as palavras basilares de Allan Kardec sobre a fé inabalável como sendo somente aquela capaz de encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade.


Tal entendimento lança por terra qualquer tipo de dogmatismo ou facciosismo religioso, uma vez que reconhece e estimula a prática do questionamento a todos os princípios, inclusive dos princípios doutrinários. Esse pensamento também foi externado por Kardec, ao estabelecer que se qualquer enunciado espírita for modificado pela ciência, essa nova posição deverá ser incorporada à Doutrina.


Somos seres em evolução e a cada dia andamos alguns passos em nossa caminhada rumo ao infinito. Nessa jornada, é importante sabermos com precisão o nosso destino, pois quem não sabe para onde quer ir tem uma alta probabilidade de não chegar a lugar algum. A Doutrina Espírita é guia preciosa nessa marcha para muitos seres humanos presentemente encarnados neste nosso querido planeta. Para praticá-la e vivê-la em sua plenitude, é importante que seus princípios basilares sejam bem compreendidos e assimilados. Entender a Doutrina Espírita embasada em seus três aspectos, conforme o legado do Codificador, certamente contribuirá para o fortalecimento de nossa própria Fé raciocinada.

por Décio Luís Schons Cruzado 5418

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No Aniversário de O Evangelho Segundo o Espiritismo

Sabemos que o Espiritismo não é propriamente uma religião, e sim uma Doutrina que incorpora um significativo aspecto religioso.

Na verdade, nossa Doutrina Espírita começou como filosofia, com a publicação de O Livro dos Espíritos em 1857, prosseguiu como ciência com a 1ª edição de O Livro dos Médiuns em 1861 e incorporou seu aspecto religioso com a publicação de O Evangelho Segundo o Espiritismo em 1864.

Hippolyte Léon Denizard Rivail, conhecido pelo pseudônimo Allan Kardec, era um professor e cientista e como tal não tinha ideias preconcebidas. Quando teve notícia dos episódios envolvendo as mesas girantes, seu impulso foi investigar para denunciar as fraudes que, no seu entendimento, estavam por trás dos fenômenos. A constatação de que havia, sim, inteligências atuando em outro plano de manifestação e de que essas inteligências se comunicavam com as pessoas em nosso plano e transmitiam ensinamentos pertinentes a um novo campo do conhecimento humano levou o Professor a encarar com seriedade e determinação a tarefa de codificar tais comunicações, organizá-las e torná-las inteligíveis.

Por isso, o aspecto científico da Doutrina Espírita é definido pela metodologia utilizada por Kardec, isto é, o método experimental, em que milhares de perguntas foram endereçadas a inúmeros médiuns em centenas de centros espíritas em diversos países. As respostas obtidas só foram tomadas em consideração a partir de um número considerável de coincidências.

Não foi, portanto, Allan Kardec que deu forma e substância à Doutrina Espírita – foram os espíritos. Ele nunca se autodenominou nem foi caracterizado como autor dos livros. A ele coube a tarefa autoimposta de codificar e divulgar os princípios da Doutrina Espírita e por isso ele é conhecido como o Codificador do Espiritismo.

O Livro dos Espíritos constituiu-se de imediato em um sucesso de livraria. As pessoas cultas e bem-intencionadas desacreditavam das doutrinas tradicionais e ansiavam por explicações que fizessem sentido sobre os problemas do ser, do destino e da dor. Esse livro constitui a base sólida para o aspecto filosófico da Doutrina Espírita, orientando respostas às perguntas sobre as causas primeiras e detalhando a posição do ser humano num universo inteiramente sob a égide divina, em que nada acontece por acaso.

O Livro dos Médiuns, publicado em sequência, constitui a base para o aspecto científico da Doutrina, ao responder às perguntas sobre como os fenômenos mediúnicos acontecem. O relacionamento entre seres humanos encarnados e desencarnados é, preponderantemente, o objeto deste segundo livro ditado pelos espíritos e organizado por Allan Kardec.

E então, 158 anos atrás, no dia 15 de abril de 1864, viria à luz O Evangelho Segundo o Espiritismo, cujo título original era “Imitação do Evangelho”. Já na introdução do livro, Kardec, atendendo à orientação dos Guias Espirituais, deixa claro que só serão abordados os tópicos relevantes para a conduta moral dos seres humanos e deixados de lado os aspectos polêmicos e de cuja discussão já haviam resultado tantos males para a humanidade. Toda a atenção é, portanto, dedicada à aplicação dos princípios da Ética Cristã e à análise de questões de ordem religiosa, aí incluídas a prece e a caridade, reforçando a noção de que ali se encontra o roteiro para a felicidade dos seres humanos.

Obviamente, não era objetivo de Kardec, nem dos espíritos orientadores da sua obra, redigir uma “Bíblia espírita”. Também não tinham em mente reinterpretar os ensinamentos bíblicos à luz da Doutrina nascente. Ao analisar cada um desses ensinamentos éticos, o objetivo proposto era unicamente o de aclará-los e, assim fazendo, demonstrar sua absoluta concordância com os princípios que haviam sido trazidos recentemente a público pela Doutrina Espírita.

Percebemos assim a importância da data que mencionamos: o aniversário de publicação de O Evangelho Segundo o Espiritismo. A partir dali, a Doutrina Espírita atingia sua completude, passando a apoiar-se sobre os três pilares que a caracterizariam de forma permanente: o científico, o filosófico e o religioso. Os dois livros que viriam a completar o Pentateuco Kardequiano (O Céu e o Inferno, em 1865, e A Gênese, em 1868) foram dedicados a aprofundar esses três aspectos.

Muito já se tem escrito sobre a história da Doutrina Espírita e sobre a importância da obra de Allan Kardec. Ao abordar de forma tão ligeira esse tema complexo, move-nos o objetivo de despertar naqueles que dão os primeiros passos na trilha espírita a curiosidade e o gosto pelo conhecimento de uma doutrina que abarca todos os campos do conhecer, do sentir e do viver humano.

por Décio Luís Schons Cruzado 5418

fonte: O Espiritismo Consolador (sobrecoisaseloisas.blogspot.com)

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Reflexão sobre o livro “Recados do Além”

Contrastes, desigualdades, perdas, preocupações chegam-nos frequentemente através dos meios de comunicação quase que como uma característica de nossos dias…
Sabemos, contudo, que apesar do caos aparente Deus está no controle pois nada ocorre fora de suas leis, sem sua permissão.
Permaneçamos, assim, confiantes, agindo no bem.

(Reflexão baseada no livro “Recados do Além”, Chico Xavier/Emmanuel, Cap 1)

Danilo Villela

Presidente da Cruzada dos Militares Espiritas

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Imortalidade

O comportamento dos apóstolos apresenta sensível diferença depois de seu encontro e convívio com o mestre em seguida à sua morte na cruz. A insegurança e as vacilações desaparecem ante a certeza da vida espiritual e eles se tornam fortes e corajosos, capazes de enfrentar as difíceis experiências que os aguardavam.
Na doutrina espírita, o mundo espiritual deixa de ser uma questão de crença passando à condição de fato capaz de influenciar nossas ações.

(Reflexão baseada no livro “Recados do Além”, Chico Xavier/Emmanuel, Cap 28)

Danilo Villela

Presidente da Cruzada dos Militares Espiritas

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O olhar que vem do coração

“Se o vosso olho é motivo de escândalo, arrancai-o e lançai-o longe de vós; melhor para vós será entrardes na vida tendo um só olho, do que terdes dois e serdes precipitados no fogo do inferno”.

                                                                   Matheus 5:29 a 30

Quem nunca observou o que os olhos de seu interlocutor expressavam? Quantas pessoas já passaram em nossas vidas com olhares diversos, que refletiram em nós, promovendo comunicação silenciosa?

Os nossos olhos são de extrema importância em nosso trajeto de vida e é por meio deles que descortinamos sentimentos e emoções.

O homem quando encarnado necessita da iluminação exterior para observar; diferentemente, a faculdade de ver (perceber) do espírito constitui um atributo próprio que independe de qualquer agente externo; ele vê (percebe) por sua própria iluminação. Se há pouca luz interior no indivíduo, pouca percepção visual haverá quando espírito em liberdade. Esta é a razão do uso da expressão: “espírito de luz” ou “espírito de pouca luz”.

Muito do que realmente somos e daquilo que trazemos em nossos corações estão expressos em nossos olhos. Eles representam a porta que traduz nossos sentimentos. Você pensa que está escondendo determinada emoção, porém seus olhos fazem transparecer o que por dentro você sente e é. É pelos olhos que nossas almas se tornam despidas. As pessoas, de maneira geral, umas mais outras menos, são capazes de fazer uma leitura do que os olhos dizem, falam ou expressam; os “olhos são o espelho da alma”. Dizem tudo, sem a necessidade de gesticular ou articular palavras, fazem o que mãos ou fala deixam de fazer. Expressam a verdade que vai no coração.

 É possível constatar:

– Olhos de Reprovação e de Aprovação; famílias educam seus filhos pelo olhar. 

– Olhos de Acusação; o olhar infalível como a flecha disparada por um arco.

– Olhos de Arrependimento, de Remorso, de Culpa; como “se o mundo tivesse caído”.

– Olhos de Ressentimento, de Mágoa; aqueles carregados de rancor e aflição.

– Olhos de Inveja; os que arremessam “dardos de inveja”.

– Olhos de Ambição e de Cobiça; o “olho grande” que murcha flores e provoca quebranto.

– Olhos de Honestidade e Nobreza de Atitude; olhos de sinceridade e de integridade.

– Olhos de Ternura, de Misericórdia; que contrasta com olhos de ódio, de raiva.

Enfim, em cada sentimento, emoção, impulso equivocado ou manifestação virtuosa, um olhar denuncia o coração.

Na caserna, constata-se o olhar do chefe militar que reconhece o bom ou o mau assessoramento do subordinado, como o gesto do olhar do subordinado que respeita o superior, até mesmo discordando dele.

Quem nunca percebeu de seu interlocutor a mensagem que trazia em seu olhar?

Há, ainda, o olhar sentido, com lágrimas que choram tristeza, alegria ou perda …. Como também há o olhar com “lágrimas de crocodilo”, que representa o choro fingido, enganador, muitas vezes, enganador de si mesmo.

Pessoas existem que só têm olhos para enxergar o lado mau e errado de tudo. Costumam ser aqueles que reclamam e se queixam de tudo e de todos. Têm o hábito de analisar sempre pela visão do mal e por aquela que vem a atender aos seus interesses, muitas vezes inferiores.

Outras se comprazem em acessar o noticiário violento, como para dizer que a matéria que seus olhos leem não está acontecendo consigo. Identificam na paisagem que se vê o que há de pior. Parece que veem fora o que há dentro de si, projetando sua sombra em seus interlocutores.

Há outras mais que nas caminhadas e passeios, caso enxerguem ao seu lado uma irmã de jornada humana, premeditam, quase sempre, a organização de laços menos dignos.  E deixam de ver quem está jogado nas calçadas das ruas pedindo esmola. Isso, por certo, os incomoda. Pelo menos poderiam deixar um olhar de caridade. Mas nem isso acontece.

Com olhos de maldade, o indivíduo se acostuma a acompanhar a vizinhança pela janela de sua moradia, preenchendo seu tempo em tomar conta da vida dos outros.

Podemos dizer que nossas qualidades anímicas expressam-se pelos nossos gestos e, de forma aguda pelo nosso olhar. Dão-nos a conhecer pela simplicidade ou pela má índole com que olhamos e consideramos os outros, as coisas e os fatos. Não é necessário palavras para nos fazer entender. Você pode agredir pelos olhos. Seus olhos podem externar a caridade que vai no seu coração, sem necessidade de palavras. Basta o olhar.

É importante que aprendamos a ver o bem em todos e em toda parte, para que o bem se manifeste e cresça em nossas vidas. Necessitamos entrar em sintonia com o Universo, onde só existe amor e bondade, onde tudo obedece para uma finalidade justa, útil e necessária.

Quando falamos do olhar e da luz que precisamos para enxergar nosso itinerário, não podemos esquecer que nossa necessidade é a da conquista da luz própria, de esclarecimento íntimo, de autoeducação, de conversão substancial do “eu” ao reino de Deus.

por José Lucas de Silva Cruzado 6294

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165 anos da obra O Livro dos Espíritos

Em 18 de Abril de 1857 ocorreu o surgimento do Espiritismo aos seres humanos através da obra de Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo em seu livro.

165 anos de “O Livro dos Espíritos”

“Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: – O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece.”

Jesus

No final do ano de 1856, Hippolyte Léon Denizard Rivail entregou os originais de “O livro dos espíritos”, que deram origem a uma brochura de 180 páginas, a Madame Mélanie, da Editora Dentu.

A revista “O Reformador“, de abril de 2022, destaca o breve diálogo ocorrido entre Madame Dentu e o professor Rivail:

– “Trouxe afinal seus cadernos, Professor?” […]

– “É uma honra para nós editar seu livro.”

Em 18 de abril de 1857, os primeiros 1.200 exemplares chegaram à Livraria Dentu, com 501 perguntas criteriosamente formuladas por Kardec e respondidas pelos Espíritos, com a colaboração de diversos médiuns, em diferentes locais.

Na segunda edição encontram-se 1018 questões, sendo que as edições atuais totalizam 1019, acréscimo que, segundo a Federação Espírita Brasileira (FEB), foi devido à não numeração de uma pergunta imediatamente após a 1010, que seria a 1011.

O livro reúne os ensinamentos dos Espíritos Superiores, por intermédio de diversos médiuns, revisados e organizados pelo professor Rivail, sob o pseudônimo de Allan Kardec.

Na introdução, destaca-se que “como especialidade, o Livro dos Espíritos contém a doutrina espírita; como generalidade, prende-se à doutrina espiritualista, uma de cujas fases apresenta. Essa a razão por que traz no cabeçalho do seu título as palavras: Filosofia espiritualista”.

Esta obra contém os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as Leis Morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade.

Encerramos esta breve homenagem aos 165 anos do lançamento de “O Livro dos Espíritos”, considerado a primeira obra básica da Doutrina Espírita, com a observação dos insignes confrades Francisco Thiesen e Zêus Wantuil, na obra “Allan Kardec – O educador e o codificador”:

– “Quer em sua primeira, quer em sua segunda e definitiva edição, O livro dos espíritos é a compilação dos ensinos ditados pelos Espíritos Superiores e publicado por ordem deles. Segundo Kardec, nada contém que não seja a expressão do pensamento deles e que não lhes tenha sofrido o controle. Só a ordem e a distribuição metódica das matérias, assim como as notas e a forma de algumas partes da redação, constituem a obra daquele que recebeu a missão de o publicar.”

Por Moacir Wilson De Sá Ferreira

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Páscoa e Ressurreição em Cristo

A Páscoa é considerada a maior e mais antiga festa do Cristianismo, em cuja cronologia destacam-se a Sexta-Feira Santa, que marca o dia da crucificação, e o domingo, com a ressurreição do Mestre.

A “ressurreição de Jesus” é um importante marco para a Fé cristã.

Ressurreição nos remete à ideia do retorno de alguém à vida após a sua morte. No sentido literal, essa palavra carrega o significado de que esse alguém pudesse ressurgir, erguer-se ou levantar-se de entre os mortos.

Encontramos na Páscoa e, consequentemente, na “ressurreição de Jesus” uma riqueza de símbolos que nos convidam à reflexão.

Segundo estudiosos, a palavra Páscoa teria origem no latim Pascha, apropriada do grego Πάσχα (Páskha), por sua vez empréstimo direto do aramaico PasHâ, língua semítica descendente do hebraico.

Acredita-se que foi empregada originalmente para designar o festival judaico, conhecido como “Páscoa judaica”, em comemoração ao Êxodo, ou seja, a libertação dos hebreus da escravidão no Egito antigo e a jornada, liderada por Moisés, rumo à “Terra Prometida”.

Eis o primeiro simbolismo: a saída da escravidão do Egito para a liberdade da “Terra Prometida”, que pode ser entendida como a jornada evolutiva para realizar a nossa verdadeira essência, o “Divino” em nós.

Nesse simbolismo, haveria a “morte” do velho (escravidão) e o “renascimento” do novo (libertação).

Libertação da escravidão dos sentidos, das paixões, dos condicionamentos e das ilusões pelo renascimento em Cristo.

Um verdadeiro rito de passagem.

O simbolismo da Páscoa cristã, que celebra a ressurreição de Jesus ocorrida ao terceiro dia após sua crucificação no Calvário, surgiu nos primeiros anos da década de 50, do século I, na carta do apóstolo Paulo, escrevendo de Éfeso aos cristãos de Corinto (I Coríntios, Capítulo V):

– “Purificai o velho fermento, para que sejais uma nova massa, assim como sois sem fermento. Pois, na verdade, Cristo, que é nossa páscoa, foi imolado. Por isso celebremos a festa, não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os asmos da sinceridade e da verdade.”

Esse simbolismo seria confirmado por Paulo em Efésios, 4:22-24:

– “Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade.”

Eis o significado da ressurreição para nós, espíritas:

– Ressurgir em Cristo, purificar o velho fermento (“velho homem”) para ser nova massa (“novo homem”).

Páscoa significa uma nova maneira de viver sem ser corrompido por desejos enganosos, renovar-se no modo de pensar, recordando que “pensamento é vida” e, pela reforma íntima, revestir-se do novo homem.

Uma abençoada Páscoa e que possamos renascer em Cristo!

Por Moacir Wilson De Sá Ferreira

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