Mensagem Natalina

     Quando Jesus, o embaixador divino, chegou para conviver diretamente com os homens, encontrou o mundo pacificado pelas legiões de César, que se distribuíam por todo o vasto Império Romano. Por isso, o Mestre, seus familiares e depois seus primeiros seguidores jamais defrontaram a insegurança e as agruras que caracterizam as situações de guerra, contando sempre com a paz social indispensável à divulgação da Boa Nova.

     Que a evocação do Natal possa fortalecer em nós a consciência de nossos deveres ante as Leis Divinas sintetizados na recomendação do Mestre: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

     Aos membros da CME desejamos um Natal de paz e um Ano Novo pleno de realizações no bem.

Danilo Villela – Presidente da CME

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A felicidade não é deste mundo

“Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! exclama geralmente o homem em todas as posições sociais”.

O texto acima, destacado do capítulo V – Bem-aventurados os aflitos da obra “O Evangelho segundo o Espiritismo”, nos alerta a respeito da dificuldade que todos enfrentam na busca da felicidade neste mundo.

Para nós espíritas é certo que não podermos encontrar a tão almejada felicidade nos bens materiais, que egoisticamente julgamos possuir, muito menos na posição social e no poder, que nos aprisionam nas ilusões da vaidade e do orgulho.

Como considerar, então, o tema “ser feliz, no mundo”, segundo a Doutrina Espírita?

Na questão 920 de “O Livro dos Espíritos” Kardec pergunta aos benfeitores espirituais se “pode o homem gozar de completa felicidade na Terra?”. Na resposta apresentada encontramos orientação segura para nossa reflexão: “não, por isso que a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém, depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra.

Felicidade completa? Não.

Felicidade possível? Sim.

A busca pela felicidade está presente no cotidiano das lutas terrenas do Espírito Imortal, conforme se pode verificar no texto publicado na revista “Mundo Espírita”, da Federação Espírita do Paraná:

– “O desejo de ser feliz é inerente à criatura humana e o Espiritismo auxilia nessa busca, na concretização desse objetivo, porque suas diretrizes morais permitirão a exata compreensão do que é a verdadeira felicidade e quais são os meios eficazes de atingirmos esse estado da alma.”

E qual diretriz devemos seguir para alcançarmos a verdadeira “Felicidade”?

A obra “Céu e Inferno” esclarece que diretriz devemos seguir para alcançarmos a verdadeira “Felicidade”: “a completa felicidade prende-se à perfeição, isto é, à purificação completa do Espírito”.

Nesse sentido, como a Doutrina Espírita pode nos ajudar?

A Doutrina Espírita, ciência-filosofia-religião, nos oferece ensinamentos, com base na Mensagem transformadora do Evangelho de Jesus, para realizarmos, aqui e agora, a nossa reforma íntima e para sermos felizes neste mundo.

Jesus, guia e modelo da humanidade nos convida a “viver no mundo, sem ser do mundo”.

Encerramos, sem a pretensão de termos esgotado o tema, com o pensamento de Richard Simonetti, na obra “Uma razão para viver”: “A felicidade não é uma estação, na viagem da existência; é uma maneira de viajar”.

Viva com Amor e Paz e seja feliz!

Paz em Cristo!

Moacir Wilson de Sá Ferreira (Cruzado 7910)

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A Proclamação da República do Brasil e a Doutrina Espírita

Comemora-se, neste dia 15 de novembro, a Proclamação da República do Brasil, ocorrida em 1889, quando um movimento político-militar instaurou no País a república federativa presidencialista, em substituição ao modelo de monarquia constitucional parlamentarista mantido pelo Império do Brasil, que tinha como seu monarca D. Pedro II.

A queda do Império e a instauração da República ocorreram em decorrência de diversos fatores. Nesta nossa reflexão, destacamos o episódio histórico conhecido como “A Questão Religiosa” e a contribuição  da Doutrina Espírita neste marco da história do Brasil.

Cabe considerar que a Maçonaria ampliou de forma significativa, por volta de 1870 e nos anos subsequentes, sua influência e ação nos segmentos militar e acadêmico da sociedade brasileira. A defesa de novos valores morais e sociais, dentre os quais a tolerância religiosa e a abolição da escravidão, se intensificou com a atuação de destacados maçons.

Naquele momento importante da nossa história, as ideias e o ideal  espírita aportaram no “Coração do Mundo” e na “Pátria do Evangelho”, fortalecendo as aspirações nacionais de liberdade, de justiça e de tolerância religiosa.

Lamentavelmente, a historiografia não relata a influência e o papel da Doutrina Espírita nos movimentos abolicionistas e republicanos. Ela ignorou, de certa forma, o fato de que as ideias e o ideal  espírita proporcionaram aos abolicionistas e aos republicanos motivação, além de uma sólida contribuição filosófica e religiosa para o fortalecimento da causa.

A historiadora Mary Del Priore elucida que “se a sociedade da segunda metade do século XIX se queria racional e embalada pelo sonho do progresso em todos os domínios, o sentido do maravilhoso e do sobrenatural continuava, porém, a latejar. No Brasil, mais ainda (…) Os efeitos da ciência moderna estariam em união com a experiência religiosa” (Do Outro Lado: A História do Sobrenatural e do Espiritismo).

Não se pode, portanto, desconsiderar a importante contribuição da Doutrina Espírita no processo de transição política e social, ocorrido naquele final de século XIX, nas terras do Cruzeiro.

Dentre os espíritas presentes no movimento de proclamação da República, a historiadora cita os insignes brasileiros: Quintino Bocaiúva, ministro do Governo Provisório Republicano; Ewerton Quadros, fundador da Federação Espírita Brasileira; Saldanha Marinho, influente advogado, político e grão-mestre maçom; e o Dr. Bezerra de Menezes.

Irmãos Cruzados, a Doutrina Espírita constituiu, naquele momento da nossa história, e constitui, nos dias atuais, Luz para a Nação brasileira e Esperança para o povo brasileiro.

Nesta data, cada um de nós, brasileiros e espíritas, devemos renovar nossa Fé nos sagrados destinos do Brasil, guardião da “Árvore do Evangelho – Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, e no nosso compromisso inadiável com Jesus e Sua Mensagem de Paz e de Amor.

Sigamos servindo “Com Cristo, pela Pátria, para Deus”.

Moacir Wilson de Sá Ferreira

Cruzado 7910

Fonte: espiritismoemmovimento.blogspot.com

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Duas realidades

            Nesse tempo de transição, ressalta-se a presença de duas realidades distintas nas profundezas do inconsciente do ser humano: – a realidade divina e a realidade humana.

             A primeira diz respeito a sua origem transcendental, por criação de Deus, composto de potências latentes, orientadas por atração – o tropismo divino – e prontas a atuar para seguir o caminho da redenção. Trata-se do “eu profundo”, do “eu cósmico”, da centelha divina que confirma a essência do ser humano e o leva, inevitavelmente, ao fatalismo da plenitude. “Vós sois Deuses”.

            A segunda considera arquivos de experiências passadas, com heranças atávicas, presentes na vida atual, algumas representadas por impulsos que afloram em ação repentina, de difícil desengajamento do comportamento pessoal.

            Uma representa a força diretora permanente, com objetivo definido de iluminação. A outra, passageira, impõe ilusões perturbadoras que dificultam a marcha ascensional.

            O mergulho no inconsciente e a criação do hábito da interiorização, como condição de melhor conhecer essas duas realidades, possibilitam ao indivíduo identificar e responder o que fazer, quando e como proceder diante de tão complexo momento de mudança em nosso planeta.

por José Lucas de Silva Cruzado 6294

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Ética Militar Espírita

A profissão militar é detentora de uma ética própria, baseada em quatro pilares tradicionais: o Sentimento do Dever, a Honra Pessoal, o Pundonor Militar e o Decoro da Classe. Esses pilares, bem como os atributos a eles orgânicos, encontram-se em concordância com aquilo que Alfred de Vigny explicitou tão bem em seu livro “Servidão e Grandeza Militares”, com todos os paradoxos ali relatados. Assim é que nossa profissão pode nos proporcionar momentos de singulares realizações pessoais no serviço da coletividade, em tempos de paz ou de guerra, mas pode também nos impor os maiores sacrifícios e atribulações em tempo de guerra, como, por exemplo, tirar a vida dos nossos inimigos.

A ética militar é, portanto, bastante complexa, na medida em que às bases da filosofia grega e dos princípios da Ética Cristã somam-se os princípios agregados pela Ética do Dever e pelo Utilitarismo dos filósofos britânicos. O pensamento kantiano, ao posicionar o cumprimento do dever como a mais alta das virtudes, alinha-se, de forma que talvez o próprio Kant não tivesse imaginado, ao Utilitarismo, que prega a busca do maior bem para o maior número de pessoas, e à Ética Militar, sintetizada no compromisso do soldado de defender a Pátria com o risco da própria vida. Não há novidade neste último ponto, uma vez que a existência do soldado se justifica pela sua prontidão em defender a Pátria, de armas na mão – o que, em última instância, em tempo de guerra, levará à perda de vidas humanas. Todavia, é evidente que esse raciocínio se choca frontalmente com alguns princípios da Ética Cristã, em particular no que se refere ao mandamento “Não Matarás”.

Há confissões religiosas em que tal conflito é percebido de forma mais assertiva e tido, de certo modo, como incontornável. Isso levou à inserção, no parágrafo 1º do artigo 143 da Constituição de 1988, de dispositivo destinado a atender a tais objeções de consciência em tempo de paz. De um modo ou de outro, o profissional das armas que meditar sobre os compromissos que assume ao incorporar-se às Forças Armadas sentirá o peso dessa aparente incoerência. Todos nós, militares, mais cedo ou mais tarde, passamos por esse momento.

De minha parte, a Doutrina Espírita exerceu papel decisivo na decisão que tomei de prosseguir na profissão militar após a conclusão do curso preparatório, uma vez que naquele momento o Espiritismo já embasava, em grande medida, a minha visão de mundo.

Posso dizer que a Doutrina Espírita, mediante o princípio da reencarnação, passou a representar para mim uma ponte entre a ética cristã e a ética militar. O conhecimento recém-adquirido, revelador da imortalidade do espírito sob um novo prisma, facultou-me o seguinte raciocínio: o serviço da Pátria impõe-me o dever do sacrifício da própria vida ou um outro, ainda maior, que é o de tirar a vida de meus semelhantes; se, por infelicidade, esta última hipótese vier a se concretizar, terei a confortar-me a certeza de que, em futuras reencarnações, surgirão oportunidades de resgatar esses atos praticados em prol de um bem maior.

Naquele ponto da caminhada, o Espiritismo já me havia levado a compreender, de maneira prática e descomplicada, como os princípios e valores que trazia do ambiente familiar encaixavam-se com perfeição no estilo de vida profissional militar. Já percebia com nitidez por que a responsabilidade precisa ter precedência sobre a liberdade; percebia a relevância do cuidado com o preparo próprio, da lealdade, da camaradagem, da dedicação integral e do espírito de sacrifício como fundamentos, tanto da vida na caserna quanto da vida em família.

Logo entendi que esses eram os pressupostos a serem atendidos para que eu, noite após noite, pudesse deitar a cabeça no travesseiro com a consciência de não apenas ter evitado a prática do mal, mas sobretudo de ter feito todo o bem possível. A noção de integridade, com todas as suas servidões, ganhava forma em meu modo de ser. Foi assim que a Doutrina Espírita veio, em grande medida, dar sentido à minha existência. Quase meio século transcorrido, percebo o quanto fui privilegiado em tê-la conhecido e abraçado tão cedo e em ter de algum modo contribuído para conservá-la viva nos corações e mentes de toda a nossa Família.

por Décio Luís Schons Cruzado 5418

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Médium, Mediunidade e Fenômeno Mediúnico

O tema “Médium, Mediunidade e Fenômeno Mediúnico” permaneceu por muito tempo na categoria dos assuntos frívolos, dos meros passatempos, das diversões. Por outro lado, gerava também uma percepção de algo “proibido”, de “sobrenatural”, de “contrário à Lei de Deus”.

A Doutrina Espírita trouxe luz, seriedade e entendimento ao investigar e estudar o assunto sob os fundamentos e princípios da ciência, sem perder de vista as decorrentes implicações filosóficas e religiosas.

A mensagem de Allan Kardec, na introdução do “Livro dos Médiuns”, alerta para a relevância das nossas relações com o “mundo espiritual”, bem como para suas implicações nas nossas vidas:

– “Dirigimo-nos aos que veem no Espiritismo um objetivo sério, que lhe compreendem toda a gravidade e não fazem das comunicações com o Mundo Invisível um passatempo”.

Recorremos novamente ao “Livro dos Médiuns” para entender o significado do termo médium e encontramos a definição de que médium é “toda pessoa que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos”.

Referindo-se à mediunidade a obra citada ainda esclarece que “essa faculdade é inerente ao homem e, por conseguinte, não constitui um privilégio exclusivo […] Pode-se, pois, dizer que todos são mais ou menos médiuns”.

Depreende-se das citações apresentadas que a Doutrina Espírita entende a faculdade mediúnica, ou seja, a mediunidade, como uma faculdade comum a todos os seres humanos. Todos nós somos “mais ou menos médiuns”, pois sentimos, em graus diferentes, a influência dos Espíritos. Todos somos médiuns em potencial.

O médium e orador espírita Divaldo Pereira Franco ressalta que a mediunidade é uma faculdade de intercâmbio espiritual inerente ao Espírito, cuja manifestação é favorecida, em maior ou menor grau, por determinada predisposição orgânica e/ou perispiritual.

Podemos considerar que os denominados fenômenos intuitivos caracterizam a existência da mediunidade comum a todos os indivíduos, porém, embora significativos, não constituem a faculdade “ostensiva” dos chamados “médiuns ativos”.

Seguimos, na nossa reflexão, ainda com base nos conceitos contidos no “Livro dos Médiuns”, a respeito da mediunidade. Destacamos, porém, que “usualmente essa qualificação só se aplica àqueles em quem a faculdade se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade […]”

Podemos considerar como “efeitos patentes” os fenômenos mediúnicos, que variam em “intensidade” e que se mostram “bem caracterizados”.

Daí a Doutrina Espírita considerar médiuns “ativos” ou “ostensivos” aqueles que são capazes de intermediar, de forma mais “intensa”, ou seja, ” bem caracterizada”, a comunicação com o “Mundo Invisível” (Mundo Espiritual).

Nesse sentido, Kardec contou com a colaboração de diversos médiuns que, intermediando a comunicação com o “Mundo Invisível”, possibilitaram ao codificador receber as informações e os conhecimentos para sistematizar os fundamentos e princípios da Doutrina Espírita.

Fato inquestionável é que a Doutrina Espírita surgiu a partir das comprovações científicas dos fenômenos mediúnicos, se consolidou e segue disseminando sua ação consoladora e de divulgação da mensagem do Cristo por intermédio de inúmeros médiuns.

A observação de Kardec, expressa no “Livro dos Médiuns”, de que a mediunidade, também denominada por ele faculdade mediúnica, não se revela da mesma maneira em todos. Geralmente, os médiuns têm uma aptidão especial para os fenômenos desta ou daquela ordem, de onde resulta que formam tantas variedades quantas são as espécies de manifestações. As principais são: a dos médiuns de efeitos físicos; a dos médiuns sensitivos, ou impressionáveis; a dos audientes; a dos videntes; a dos sonambúlicos; a dos curadores; a dos pneumatógrafos; a dos escreventes, ou psicógrafos.”

O estudo e a educação da mediunidade e, consequentemente, a sua manifestação responsável nos fenômenos mediúnicos é tarefa inadiável de todos nós espíritas, que almejamos servir na Seara do Mestre. Paz em Cristo!

Paz em Cristo!

Por Moacir Wilson De Sá Ferreira

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O Espiritismo e seu Aspecto Religioso

A popularização do Espiritismo no Brasil levou, com o passar dos anos, a que muitas pessoas tivessem da Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec uma visão limitada, como se ela fosse mais uma seita ou corrente religiosa no âmbito do Cristianismo. Percebe-se em algumas casas espíritas uma tendência ao igrejismo, à rigidez de procedimentos e até mesmo ao estabelecimento de rituais, em completo desacordo com o preconizado pelos mensageiros espirituais que transmitiram a Kardec, por intermédio de centenas de médiuns em muitos países, as bases da Doutrina e a universalidade do ensino dos espíritos.


É preciso que nós, espíritas, jamais percamos de vista os fundamentos da Doutrina que abraçamos. Esses fundamentos, como já ressaltado de início, encontram-se nos livros da Codificação e conferem à Doutrina três aspectos: o filosófico, o científico e o religioso. O aspecto filosófico trata de buscar as causas primeiras e responder aos porquês, de estudar as finalidades e as motivações dos fenômenos espíritas, situando-os no contexto de toda uma cosmogonia cambiante porque evolutiva. Esse aspecto constitui o pilar central do Espiritismo e nos remete à presença da Inteligência Suprema, causa primária de todas as coisas. O aspecto científico veio nos trazer a informação sobre a maneira como os fenômenos acontecem, com a utilização dos mesmos métodos indutivo e dedutivo utilizados pelas ciências físicas e biológicas, à época em pleno amadurecimento.


Tratando agora do aspecto religioso, é interessante que nos detenhamos brevemente sobre a origem da palavra religião e sobre os significados e os entendimentos que ela ensejou ao longo da história. A palavra religião, como sabemos, tem sua origem etimológica no verbo latino “religare” e seu significado lato em português não requer maiores elaborações. A questão que se coloca é sobre a espécie de religação de que estaríamos tratando.


Para as religiões cristãs tradicionais, o ser humano estaria, a partir do milagre da criação, ligado a Deus por sua própria natureza. Lamentavelmente, o pecado original (expressão interessante, que poderia ser tema de outro artigo) teria vindo interromper essa comunhão. A ligação entre o ser humano e a Divindade somente poderia ser restabelecida mediante o sacramento do batismo.


Para a Doutrina Espírita, o ser humano, assim como tudo que existe no universo, jamais deixou de estar ligado à Divindade pela sua própria origem. Na verdade, com a aquisição da consciência (esse, no meu entendimento, o verdadeiro pecado original) que o distingue dos demais seres vivos, o ser humano descobre sua finitude e passa a propor a si mesmo as questões existenciais que todos conhecemos muito bem.


É a partir desses questionamentos e das respostas correspondentes que a religação com a Divindade foi ganhando existência nas mentes e nos corações dos integrantes da espécie humana. É precisamente a essa religação que a Doutrina Espírita alude ao estabelecer o seu terceiro aspecto, a partir dos outros dois, o filosófico e o científico.


O verbo religar, por conseguinte, não carrega aqui o significado de refazer uma ligação que em algum momento teria sido desfeita, muito ao contrário. O aspecto religioso do Espiritismo tem a ver com o estabelecimento da ligação com a Divindade em outro nível, mediante o uso da nossa inteligência e consciência, para compreender e assimilar o verdadeiro sentido de nossa breve permanência como seres encarnados neste planeta. Isso explica as palavras basilares de Allan Kardec sobre a fé inabalável como sendo somente aquela capaz de encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade.


Tal entendimento lança por terra qualquer tipo de dogmatismo ou facciosismo religioso, uma vez que reconhece e estimula a prática do questionamento a todos os princípios, inclusive dos princípios doutrinários. Esse pensamento também foi externado por Kardec, ao estabelecer que se qualquer enunciado espírita for modificado pela ciência, essa nova posição deverá ser incorporada à Doutrina.


Somos seres em evolução e a cada dia andamos alguns passos em nossa caminhada rumo ao infinito. Nessa jornada, é importante sabermos com precisão o nosso destino, pois quem não sabe para onde quer ir tem uma alta probabilidade de não chegar a lugar algum. A Doutrina Espírita é guia preciosa nessa marcha para muitos seres humanos presentemente encarnados neste nosso querido planeta. Para praticá-la e vivê-la em sua plenitude, é importante que seus princípios basilares sejam bem compreendidos e assimilados. Entender a Doutrina Espírita embasada em seus três aspectos, conforme o legado do Codificador, certamente contribuirá para o fortalecimento de nossa própria Fé raciocinada.

por Décio Luís Schons Cruzado 5418

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No Aniversário de O Evangelho Segundo o Espiritismo

Sabemos que o Espiritismo não é propriamente uma religião, e sim uma Doutrina que incorpora um significativo aspecto religioso.

Na verdade, nossa Doutrina Espírita começou como filosofia, com a publicação de O Livro dos Espíritos em 1857, prosseguiu como ciência com a 1ª edição de O Livro dos Médiuns em 1861 e incorporou seu aspecto religioso com a publicação de O Evangelho Segundo o Espiritismo em 1864.

Hippolyte Léon Denizard Rivail, conhecido pelo pseudônimo Allan Kardec, era um professor e cientista e como tal não tinha ideias preconcebidas. Quando teve notícia dos episódios envolvendo as mesas girantes, seu impulso foi investigar para denunciar as fraudes que, no seu entendimento, estavam por trás dos fenômenos. A constatação de que havia, sim, inteligências atuando em outro plano de manifestação e de que essas inteligências se comunicavam com as pessoas em nosso plano e transmitiam ensinamentos pertinentes a um novo campo do conhecimento humano levou o Professor a encarar com seriedade e determinação a tarefa de codificar tais comunicações, organizá-las e torná-las inteligíveis.

Por isso, o aspecto científico da Doutrina Espírita é definido pela metodologia utilizada por Kardec, isto é, o método experimental, em que milhares de perguntas foram endereçadas a inúmeros médiuns em centenas de centros espíritas em diversos países. As respostas obtidas só foram tomadas em consideração a partir de um número considerável de coincidências.

Não foi, portanto, Allan Kardec que deu forma e substância à Doutrina Espírita – foram os espíritos. Ele nunca se autodenominou nem foi caracterizado como autor dos livros. A ele coube a tarefa autoimposta de codificar e divulgar os princípios da Doutrina Espírita e por isso ele é conhecido como o Codificador do Espiritismo.

O Livro dos Espíritos constituiu-se de imediato em um sucesso de livraria. As pessoas cultas e bem-intencionadas desacreditavam das doutrinas tradicionais e ansiavam por explicações que fizessem sentido sobre os problemas do ser, do destino e da dor. Esse livro constitui a base sólida para o aspecto filosófico da Doutrina Espírita, orientando respostas às perguntas sobre as causas primeiras e detalhando a posição do ser humano num universo inteiramente sob a égide divina, em que nada acontece por acaso.

O Livro dos Médiuns, publicado em sequência, constitui a base para o aspecto científico da Doutrina, ao responder às perguntas sobre como os fenômenos mediúnicos acontecem. O relacionamento entre seres humanos encarnados e desencarnados é, preponderantemente, o objeto deste segundo livro ditado pelos espíritos e organizado por Allan Kardec.

E então, 158 anos atrás, no dia 15 de abril de 1864, viria à luz O Evangelho Segundo o Espiritismo, cujo título original era “Imitação do Evangelho”. Já na introdução do livro, Kardec, atendendo à orientação dos Guias Espirituais, deixa claro que só serão abordados os tópicos relevantes para a conduta moral dos seres humanos e deixados de lado os aspectos polêmicos e de cuja discussão já haviam resultado tantos males para a humanidade. Toda a atenção é, portanto, dedicada à aplicação dos princípios da Ética Cristã e à análise de questões de ordem religiosa, aí incluídas a prece e a caridade, reforçando a noção de que ali se encontra o roteiro para a felicidade dos seres humanos.

Obviamente, não era objetivo de Kardec, nem dos espíritos orientadores da sua obra, redigir uma “Bíblia espírita”. Também não tinham em mente reinterpretar os ensinamentos bíblicos à luz da Doutrina nascente. Ao analisar cada um desses ensinamentos éticos, o objetivo proposto era unicamente o de aclará-los e, assim fazendo, demonstrar sua absoluta concordância com os princípios que haviam sido trazidos recentemente a público pela Doutrina Espírita.

Percebemos assim a importância da data que mencionamos: o aniversário de publicação de O Evangelho Segundo o Espiritismo. A partir dali, a Doutrina Espírita atingia sua completude, passando a apoiar-se sobre os três pilares que a caracterizariam de forma permanente: o científico, o filosófico e o religioso. Os dois livros que viriam a completar o Pentateuco Kardequiano (O Céu e o Inferno, em 1865, e A Gênese, em 1868) foram dedicados a aprofundar esses três aspectos.

Muito já se tem escrito sobre a história da Doutrina Espírita e sobre a importância da obra de Allan Kardec. Ao abordar de forma tão ligeira esse tema complexo, move-nos o objetivo de despertar naqueles que dão os primeiros passos na trilha espírita a curiosidade e o gosto pelo conhecimento de uma doutrina que abarca todos os campos do conhecer, do sentir e do viver humano.

por Décio Luís Schons Cruzado 5418

fonte: O Espiritismo Consolador (sobrecoisaseloisas.blogspot.com)

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Reflexão sobre o livro “Recados do Além”

Contrastes, desigualdades, perdas, preocupações chegam-nos frequentemente através dos meios de comunicação quase que como uma característica de nossos dias…
Sabemos, contudo, que apesar do caos aparente Deus está no controle pois nada ocorre fora de suas leis, sem sua permissão.
Permaneçamos, assim, confiantes, agindo no bem.

(Reflexão baseada no livro “Recados do Além”, Chico Xavier/Emmanuel, Cap 1)

Danilo Villela

Presidente da Cruzada dos Militares Espiritas

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Imortalidade

O comportamento dos apóstolos apresenta sensível diferença depois de seu encontro e convívio com o mestre em seguida à sua morte na cruz. A insegurança e as vacilações desaparecem ante a certeza da vida espiritual e eles se tornam fortes e corajosos, capazes de enfrentar as difíceis experiências que os aguardavam.
Na doutrina espírita, o mundo espiritual deixa de ser uma questão de crença passando à condição de fato capaz de influenciar nossas ações.

(Reflexão baseada no livro “Recados do Além”, Chico Xavier/Emmanuel, Cap 28)

Danilo Villela

Presidente da Cruzada dos Militares Espiritas

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