Páscoa e Ressurreição em Cristo

A Páscoa é considerada a maior e mais antiga festa do Cristianismo, em cuja cronologia destacam-se a Sexta-Feira Santa, que marca o dia da crucificação, e o domingo, com a ressurreição do Mestre.

A “ressurreição de Jesus” é um importante marco para a Fé cristã.

Ressurreição nos remete à ideia do retorno de alguém à vida após a sua morte. No sentido literal, essa palavra carrega o significado de que esse alguém pudesse ressurgir, erguer-se ou levantar-se de entre os mortos.

Encontramos na Páscoa e, consequentemente, na “ressurreição de Jesus” uma riqueza de símbolos que nos convidam à reflexão.

Segundo estudiosos, a palavra Páscoa teria origem no latim Pascha, apropriada do grego Πάσχα (Páskha), por sua vez empréstimo direto do aramaico PasHâ, língua semítica descendente do hebraico.

Acredita-se que foi empregada originalmente para designar o festival judaico, conhecido como “Páscoa judaica”, em comemoração ao Êxodo, ou seja, a libertação dos hebreus da escravidão no Egito antigo e a jornada, liderada por Moisés, rumo à “Terra Prometida”.

Eis o primeiro simbolismo: a saída da escravidão do Egito para a liberdade da “Terra Prometida”, que pode ser entendida como a jornada evolutiva para realizar a nossa verdadeira essência, o “Divino” em nós.

Nesse simbolismo, haveria a “morte” do velho (escravidão) e o “renascimento” do novo (libertação).

Libertação da escravidão dos sentidos, das paixões, dos condicionamentos e das ilusões pelo renascimento em Cristo.

Um verdadeiro rito de passagem.

O simbolismo da Páscoa cristã, que celebra a ressurreição de Jesus ocorrida ao terceiro dia após sua crucificação no Calvário, surgiu nos primeiros anos da década de 50, do século I, na carta do apóstolo Paulo, escrevendo de Éfeso aos cristãos de Corinto (I Coríntios, Capítulo V):

– “Purificai o velho fermento, para que sejais uma nova massa, assim como sois sem fermento. Pois, na verdade, Cristo, que é nossa páscoa, foi imolado. Por isso celebremos a festa, não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os asmos da sinceridade e da verdade.”

Esse simbolismo seria confirmado por Paulo em Efésios, 4:22-24:

– “Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade.”

Eis o significado da ressurreição para nós, espíritas:

– Ressurgir em Cristo, purificar o velho fermento (“velho homem”) para ser nova massa (“novo homem”).

Páscoa significa uma nova maneira de viver sem ser corrompido por desejos enganosos, renovar-se no modo de pensar, recordando que “pensamento é vida” e, pela reforma íntima, revestir-se do novo homem.

Uma abençoada Páscoa e que possamos renascer em Cristo!

Por Moacir Wilson De Sá Ferreira

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A Religião do Exemplo

Era outubro de 1975. Comemorava-se o Dia do Professor na EsPCEx, onde cursava, como integrante da Turma Santos Dumont, o terceiro ano do curso colegial. Havia participado de forma bem-sucedida no concurso de redação em homenagem à data e em virtude disso fui convidado pelo Comandante da Escola, o então Coronel José Maria de Toledo Camargo, a participar do almoço comemorativo, com todos os professores e instrutores, no Salão Nobre. Mais ainda, fui distinguido com a deferência de sentar-me à mesa do Comandante, juntamente com o Decano dos professores, os oficiais mais antigos e os professores mais velhos.

Durante o almoço, surgiu à mesa o tema da diversidade dos grupos religiosos existentes na Escola, com a União Católica dos Militares, o Núcleo dos Alunos Evangélicos e o Núcleo dos Militares Espíritas, e sobre o que isso significava para a formação dos futuros oficiais.

A certa altura da conversa, nosso Comandante passou a relatar episódio ocorrido quando ele era cadete de Artilharia na AMAN, num dia em que seu pelotão se encontrava em uma sessão de instrução ministrada pelo então Tenente Jarbas Gonçalves Passarinho, instrutor do Curso.

Durante um intervalo, o Tenente permaneceu em sala a preparar o ambiente para o próximo tempo de instrução e ouviu um debate entre cadetes sobre religião: havia católicos, evangélicos, espíritas, umbandistas, ateus, cada um defendendo o seu próprio credo religioso ou a sua própria maneira de encarar a religião. O Tenente não interveio na conversa, mas quando a campainha sinalizou o término do intervalo e os cadetes retornaram à sala, ele fez uma breve alocução realçando a liberdade religiosa existente em nosso país, em obediência à nossa Constituição. Enfatizou o respeito que todos devemos nutrir pelas religiões dos companheiros, tendo sempre em conta que a liberdade de um termina onde começa a liberdade do outro.

Num certo momento, o Coronel Camargo, visivelmente emocionado com as lembranças que lhe vinham à mente, repetiu as palavras que ele ouvira do Tenente Jarbas Passarinho havia já cerca de trinta anos: “Nós, militares, temos a liberdade de praticar a religião que escolhermos ou até mesmo de não praticar nenhuma das religiões estabelecidas. Existe, porém, uma religião que todos nós, sem qualquer exceção, temos a obrigação de praticar: é a Religião do Exemplo.”

A lembrança daquele dia nunca me abandonou, associada sempre à imagem do Comandante sob cujas ordens tive a ventura de servir, como aluno, por dois preciosos anos. O Coronel Camargo foi sem dúvida o mais completo chefe e líder militar que tive o privilégio de conhecer, opinião essa compartilhada por muitos de meus colegas de turma. Sempre pautou suas atitudes pela ética. Com ele aprendemos os princípios que norteiam a nossa profissão. Com ele aprendemos a importância da integração do Exército com a sociedade. A Escola Preparatória, sob seu comando, passou a ser parte da cidade de Campinas e nós, alunos, passamos a nos considerar cidadãos campineiros. Mais tarde, já como oficial-general, continuou a nos proporcionar exemplos de coerência, desapego e fidelidade aos ideais que nos transmitira.

Desde então, tenho procurado seguir os ensinamentos recebidos do velho Comandante naquele memorável Dia do Professor de 1975, em que tive a honra de ler para uma plateia seleta o texto que havia escrito em homenagem a minha mãe, que fora, além de tudo, uma das minhas professoras no curso primário (as outras foram minhas duas irmãs mais velhas). Naquele momento memorável, pude perceber nitidamente a tomar forma em meu íntimo o alicerce que havia de nortear minha existência nos anos que se seguiriam: a base familiar associada ao trabalho educativo dos mestres e coroada pelo ensinamento dos chefes e instrutores, de modo a nos habilitar ao cumprimento do nosso dever, aconteça o que acontecer.

Este é um pequeno tributo a minha Mãe e a minhas Irmãs Professoras, um tributo a meus Comandantes, Professores e Instrutores, por terem me ensinado a praticar a Religião do Exemplo. Estejam onde estiverem, recebam meu testemunho de imperecível gratidão.

por Décio Luís Schons Cruzado 5418

fonte: O Espiritismo Consolador (sobrecoisaseloisas.blogspot.com)

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O Espiritismo Consolador

Cento e cinquenta e oito anos atrás, num mês de abril como o que estamos vivendo, o mundo recebia O Evangelho Segundo o Espiritismo, a terceira obra do Pentateuco Kardequiano, em sequência à publicação de O Livro dos Espíritos, em 1857, e de O Livro dos Médiuns, em 1861. Era um passo importante na trajetória do Codificador e na afirmação da Doutrina Espírita nascente como detentora de uma sólida base filosófica, ética e moral, amparada nos ensinamentos do Mestre Jesus Cristo.

Logo no prefácio do livro, O Espírito de Verdade, principal inspirador e orientador dos trabalhos de Kardec, dirige-nos comovedor chamamento ao trabalho e ao progresso espiritual: “Nós vos convidamos, a vós homens, para o divino concerto.” Era mais uma edição desse convite, que vem sendo renovado, através dos tempos, aos trabalhadores de boa vontade, para que transformemos nosso planeta em um mundo de menos atraso e menos sofrimento, mais progresso e mais alegrias.

Permitir-me-ei transcrever aqui o primeiro parágrafo da Introdução à obra, levado pela importância que essa passagem assume na motivação do estudo do Espiritismo: “Podem dividir-se em cinco partes as matérias contidas nos Evangelhos: os atos comuns da vida do Cristo; os milagres; as predições; as palavras que foram tomadas pela Igreja para fundamento de seus dogmas; e o ensino moral. As quatro primeiras têm sido objeto de controvérsias; a última, porém, conservou-se constantemente inatacável. Diante desse código divino, a própria incredulidade se curva. É terreno onde todos os cultos podem reunir-se, estandarte sob o qual podem todos colocar-se, quaisquer que sejam suas crenças, porquanto jamais ele constituiu matéria das disputas religiosas, que sempre e por toda a parte se originaram das questões dogmáticas. Aliás, se o discutissem, nele teriam as seitas encontrado sua própria condenação, visto que, na maioria, elas se agarram mais à parte mística do que à parte moral, que exige de cada um a reforma de si mesmo. Para os homens, em particular, constitui aquele código uma regra de proceder que abrange todas as circunstâncias da vida pública, o princípio básico de todas as relações sociais que se fundam na mais rigorosa justiça. É, finalmente e acima de tudo, o roteiro infalível para a felicidade vindoura, o levantamento de uma ponta do véu que nos oculta a vida futura. Essa parte é a que será objeto exclusivo desta obra.”

Ao delimitar claramente os limites da Doutrina no campo moral, afirmava o Codificador, de forma insofismável, a existência do aspecto religioso do Espiritismo, que vinha a se somar aos aspectos científico e filosófico já estabelecidos com clareza nas obras anteriores. Longe, porém, de enunciar promessas de salvação mediante a prática da fé cega ou de pregar o conformismo fatalista diante das circunstâncias da vida, o Codificador reafirma com clareza uma grande esperança, ou melhor, uma grande certeza: a de que a felicidade verdadeira e o progresso espiritual, da qual ela é decorrente, virão para cada um de nós a partir do nosso sucesso no esforço individual de autorreforma. Cada ser humano é responsável pelo próprio despertar para as realidades da Vida Maior e pelo seu necessário progresso espiritual. Ninguém poderá fazer o trabalho por mim, o que não me impede de receber o auxílio e a orientação dos Amigos encarnados e desencarnados.

Poderia ser antecipado já, nessas palavras de imorredouro significado, o sentido da frase atribuída a Teilhard de Chardin cerca de um século mais tarde: “Não somos seres humanos vivendo uma experiencia espiritual; somos seres espirituais vivendo uma experiência humana.”

No Brasil, a primeira agremiação espírita foi fundada no Rio de Janeiro, em 1873. Um de seus fundadores foi Joaquim Carlos Travassos, médico e linguista que traduziu o Evangelho Segundo o Espiritismo para o português em 1876. Outro tradutor muito conhecido das obras da Codificação, já no século XX, foi Luís Olímpio Guillon Ribeiro, também presidente da Federação Espírita Brasileira por cerca de quinze anos.

O Evangelho Segundo o Espiritismo é de longe a obra mais vendida e mais consultada do Pentateuco Espírita. Fonte de alívio e inspiração, é livro de cabeceira de quantos queiram manter a prática diária da oração, das boas vibrações e do exercício da caridade, sejam os leitores espíritas praticantes, sejam eles simplesmente simpatizantes da Doutrina Espírita.

Em seu capítulo VI, intitulado “O Cristo Consolador”, o Evangelho Segundo o Espiritismo identifica inequivocamente o Espiritismo como sendo o Consolador prometido por Jesus Cristo na seguinte passagem do Novo Testamento: “Se me amais, guardai os meus mandamentos; e Eu rogarei a meu Pai e Ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito.” (João, 14:15 a 17 e 26.)

Na sequência à citação evangélica, Allan Kardec esclarece a sua convicção na justeza da identificação proposta: “O Espiritismo mostra a causa dos sofrimentos nas existências anteriores e na destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado. Mostra o objetivo dos sofrimentos, apontando-os como crises salutares que produzem a cura e como meio de depuração que garante a felicidade nas existências futuras… Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador Prometido: conhecimento das coisas, fazendo com que o homem saiba de onde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da Lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.”

Que fique, portanto, registrada, neste mês de abril, ao insigne Professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, cognominado Allan Kardec, a nossa gratidão por todo o corpo doutrinário legado às pessoas de boa vontade, em especial pela obra objeto destas simples reflexões (O Evangelho Segundo o Espiritismo) e que nos auxilia sobremaneira na busca de um sentido para esta nossa existência no planeta Terra.

por Décio Luís Schons Cruzado 5418

fonte: O Espiritismo Consolador (sobrecoisaseloisas.blogspot.com)

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Espiritismo e Profissão Militar na Visão de um Velho Soldado

Durante toda a sua vida, o militar se prepara e permanece aprestado para aquilo que ele menos deseja, mas que ele sabe, por dever de ofício, inevitável. Trata-se simplesmente do episódio mais doloroso na história dos povos: a guerra. Nessa ocasião ele deverá estar pronto a matar e disposto também a morrer em defesa de sua Pátria e de tudo que esse conceito tão amplo e sublime encerra em suas seis letras: as crenças, os princípios e valores – imateriais; o território, as estruturas físicas – materiais; e sobretudo os seres humanos integrantes dessa grande comunidade – seus compatriotas.

O grande paradoxo da profissão militar está no fato de a pessoa dedicar a existência a preparar-se para uma situação que repudia, desejando ardentemente que ela jamais ocorra, mas sabendo que, em última análise, sua plena realização profissional somente terá a chance de ser encontrada nos campos de batalha. Eis, em breves palavras, a essência daquilo que o grande escritor francês Alfred de Vigny abordou no clássico de sua autoria “Servidão e Grandeza Militares”. O título do livro já corporifica, de forma magistral, a essência da obra, dispersa ao longo das narrativas ali coligidas.

Ao ingressar na Instituição militar, quase meio século atrás, trazia comigo essas inquietações, advindas de meditações inspiradas pela leitura de livros retirados da biblioteca municipal de minha pequena cidade de Júlio de Castilhos, no Rio Grande do Sul, onde morava com minha família. Embora a profissão do soldado tivesse atrativos, dúvidas me assaltavam sobre como alguém poderia realizar-se profissionalmente a partir da pura e simples preparação para tomar parte em conflitos que acarretariam perdas de vidas humanas aos milhares.

Com o passar dos anos, os ensinamentos dos chefes, as leituras e os debates, dentro e fora das escolas militares, levaram-me a compreender a necessidade das instituições armadas como garantidoras dos bens mais sagrados e indispensáveis da Nacionalidade, quais sejam a integridade territorial, a autodeterminação e, como último recurso, a ordem interna – tudo isso para que os demais cidadãos possam viver suas vidas em paz, com suas famílias, na busca das realizações que terminam por dar sentido à existência do ser humano.

Não obstante esse entendimento, havia ainda algo de natureza mais profunda a me inquietar. Oriundo de família católica, batizado e crismado, não compreendia como, mesmo com todas as justificativas e motivações, pudesse ser lícito a um ser humano tirar a vida de outro, mesmo que fosse em uma situação de conflito.

A Doutrina Espírita, com a qual tivera contato logo após ingressar na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, veio aos poucos trazer-me o entendimento das razões que levam alguns de nós a assumir a missão de velar pelo bem da coletividade, dispondo-nos a sacrificar não só a própria vida – o que por si só já seria muito grave – mas oferecendo-nos para contrair uma dívida pesadíssima, ou seja, aquela resultante do ato de tirar a vida de nossos semelhantes.

A realidade da reencarnação e o conhecimento da lei de ação e reação lançaram luz sobre o tema, fazendo-me entender que o mal praticado, mesmo sob a justificativa de evitar mal maior, sempre poderá e deverá ser resgatado, seja nesta reencarnação, seja em reencarnações posteriores, seja pelo amor, seja pela dor.

O passar dos anos teve um efeito consolidador sobre as convicções adquiridas na juventude, sem contudo gerar em mim o fanatismo característico daqueles que se consideram iluminados pela verdade única e imutável. Prossegui na carreira, imerso no cumprimento do dever para com a Pátria e a sociedade, sem descuidar da família que tive a ventura de constituir. Os dias passaram céleres, os anos se enfileiraram, quase meio século transcorreu. O destino poupou-me de participar de guerras como parte de um dos lados em conflito, embora tenha tido a oportunidade de ver algumas delas de perto na qualidade de mediador.

Hoje, ao olhar para trás e perceber a senda percorrida como soldado cristão espírita, meu coração se enche de um sentimento da mais pura gratidão por tudo que tive a oportunidade de aprender e de praticar, cumprindo sempre, como soldado, o meu dever, acontecesse o que acontecesse.

Já na reserva, não considero a missão como tendo sido esgotada. A Cruzada dos Militares Espíritas precisa de nós, soldados espíritas da ativa e da reserva, para que ela possa atingir os objetivos visualizados pelos fundadores e seus continuadores, desde a década de 1940.

Mãos à obra, portanto. Além do horizonte, a estrada continua…

por Décio Luís Schons Cruzado 5418

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Articulista

Nesta data, em 1944, um pequeno grupo de militares espíritas achava-se reunido e conversavam sobre o recente restabelecimento da Capelania militar,extinta quando da proclamação da República, ante iminência de nosso envolvimento com a segunda guerra mundial. Foi lembrada então a necessidade de se oferecer aos militares que professassem o Espiritismo a oportunidade e as condições para a prática de sua crença com a criação de uma entidade voltada para esse objetivo. À adesão a essa proposta foi unânime e em reunião posterior desses companheiros – em Fev/45 – foi decidida a criação da Cruzada, considerando o dia da primeira reunião em 10/Dez/1944 como a data de sua fundação de vez que assinalava a chegada da ideia ao plano material. Depois o trabalho… 77 anos de idealismo e ação constante na busca desse nobre objetivo. Nosso agradecimento a Jesus, Mestre inconfundível de nossas vidas e a Maurício, seu discípulo fiel e orientador de nosso trabalho. Paz e reflexão.

por José Lucas de Silva Cruzado 6294

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Sentimento de cumprimento do dever confere segurança e alegria ao ser humano

Buscai primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça, que todas essas coisas vos serão dadas de acréscimo. (Mateus, 6:33)

            O texto evangélico é sempre precioso manancial para reflexão.

            No versículo acima, o convite “Buscai primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça” merece reflexão. Não se apregoa uma vida mística, ascética, mas a sabedoria em traduzir-se as premissas evangélicas para os casos práticos da vida comum. Entendermos nosso dever no mundo perante Deus e os nossos semelhantes. Esse sentimento de dever, compreendido e aceito, confere ao ser humano segurança e rumo. Norteia-nos os passos e permite felicidade ao longo do caminho.

            É oportuna aqui a reflexão de Sêneca, filósofo romano, de que “Não há vento favorável a quem não sabe aonde deseja ir”.

            Vemos, em aglomerações populares, inúmeras pessoas a buscar significado e satisfação em coisas que nunca os poderiam oferecer. Poses simulando importância pessoal, vestes extravagantes, posse de objetos sofisticados; ruidosa música, como a buscar ensurdecer o indivíduo ante a voz da própria consciência. Tudo isso a refletir insegurança e desorientação.

            A segurança do ser humano vem do sentimento de cumprimento do próprio dever.

            Alcione, protagonista do romance Renúncia, de Emmanuel, discorre com rara beleza: “Aprendi cruelmente que não pode haver paz fora do dever cumprido; que não há alegria sem aprovação da consciência tranquila.”

            O ser humano desfruta de crescente liberdade para fazer escolhas. Mas como saber se estamos no rumo certo?

            O rumo certo é aquele que nos dita a consciência à luz do Evangelho.

            O Evangelho não é uma cartilha distante para horas de meditação. É manual de conduta vivo, impressionantemente completo e que nos permite a todos identificar o feliz caminho da consciência tranquila pelo dever cumprido.

            Não nos recomenda a indiferença que degrada, nem o rigor que excede. Recomenda-nos o Reino de Deus e a sua justiça. O reto proceder. O interesse sincero por aqueles que a vida nos confiou para convívio e aprendizado conjunto.

            Se temos autoridade, utilizemo-la para educar e soerguer.

            Acompanhamos, certa feita, o caso de um tenente que precisou advertir um soldado em razão de seguidas transgressões de preceitos regulamentares. Como não se tratasse de transgressão grave, antes de punir o subordinado com a privação da liberdade, buscou o oficial admoestá-lo; tocar-lhe os brios. Usou palavras firmes, lembrou-lhe do dever de honrar o nome de seus pais…

            Foi quando o oficial escutou uma resposta que jamais esperaria.

            – Pai… mãe… Nunca tive. Fui criado na FEBEM.

            O tenente olhou fundo nos olhos do subordinado e disse-lhe:

            – Se você não teve quem lhe deixasse esse legado, deixe você a seus filhos no futuro um nome do qual possam orgulhar-se. Honre o seu próprio nome.

            Desta vez, foi o soldado que olhou firme e respondeu:

            – Tenente, o senhor nunca mais terá que me chamar à atenção.

            O soldado mudou seu proceder. Tornou-se mais alegre e benquisto, cumprindo melhor seus deveres.

            O mesmo princípio se aplica à nossa vida familiar. Temos que educar nossos filhos para que compreendam seu dever e encontrem a felicidade na sua realização, mesmo que a sanção seja necessária, como contextualiza Casimiro Cunha em belos versos:

            “Castiga amando o teu filho

            Em teu carinho profundo.

            Prefere o teu próprio ensino

            Às tristes lições do mundo.”

            (Livro Mãe, Texto Carta às Mães, Casimiro Cunha)

            Amar não é poupar; é conduzir ao cumprimento do dever, à felicidade de consciência.

            Os livros espíritas relatam casos de mães que pedem pela chance de retornar e poder reeducar os filhos que deseducaram em vidas pregressas por excesso de leniência.

            Amar é educar, transmitir valores.

            Em 1987, numa palestra sobre Ética, proferida na Academia Militar das Agulhas Negras, o então Tenente-coronel Newton Bonumá dos Santos, dileto amigo, já desencarnado, fez a pergunta a seguir:

            – Em minha vida militar sempre ouvi a recomendação de transmitir-se valores aos jovens. É realmente possível passar valores a quem não os tenha? Pode-se transmitir uma virtude a quem não a possua?

            O eminente conferencista, Doutor em Filosofia e convidado de honra em inúmeros congressos pelo mundo, um senhor de cabelos brancos, sorriu como quem ouve a melhor pergunta do debate e respondeu:

            – Sim, meu amigo. Tendo esses valores dentro de nós. Mas não basta ter um pouco. Deve-se tê-los em tão grande quantidade, em tamanha profusão, que transbordem de nós. Quando transbordarem, serão transmissíveis.

            Nosso Chico transbordava valores e, mesmo assim, não era poupado por Emmanuel.

            Estando, em determinada ocasião, com hemorragia no olho esquerdo, que apresentou problemas praticamente por toda a sua existência na Terra, ficou de cama quatro dias. Emmanuel o visitou e energicamente assim se expressou: “Que é isso, vamos trabalhar! Ter dois olhos é luxo; você tem o outro em boas condições.” Levantou-se depressa o Chico e seguiu o conselho do seu Mentor. (“Entender Conversando”, Editora IDE, 1ª ed., página 141)

            Busquemos primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça, e não nos faltarão forças e paz de espírito para que nossa vida seja feliz.

            Não que seja fácil. Não será fácil. Será possível!

            Como nos ensina o apóstolo Paulo em Filipenses 4:

            “Tudo posso naquele que me fortalece.

—x—

por José Fernando Iasbech

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FORÇAS ARMADAS, PARA QUÊ?

Si vis pacem, para bellum”

Os exércitos são mais antigos do que os conceitos de país e de estado. Na história da evolução humana, os conflitos, as conquistas e a defesa de territórios marcaram no tempo a necessidade da existência de forças com armas, quer na composição da ordem interna das sociedades, quer nas relações entre os agrupamentos humanos.

É fácil perceber que tanto a família como o estado nacional constituem degraus de evolução em que a humanidade avança. A primeira, bem antiga, diz respeito à célula social que, em reunião, integra a nação. O segundo, instituído em tempo recente como ordem mundial vigente, congrega os nacionais, com o objetivo de conquistar o bem comum em favor de todos.

No contexto interno, o estado pode ser entendido por um contrato firmado entre os indivíduos que cedem parte do seu direito em favor de um “ser maior”(o estado), que passa a ter a primazia do uso da força para resolver os conflitos da atrição social, com vistas à preservação do bem-estar comum.

No contexto externo, diante do choque conflitivo entre o natural crescimento do poder nacional de diferentes atores nacionais, o estado justifica a necessidade de contar com forças para defender seus objetivos fundamentais aos quais culminam com a conquista do referido bem comum para sua sociedade.

Portanto, seja para ser utilizado como instrumento da defesa da pátria nas relações internacionais, seja para manter a necessária ordem interna, o estado não se arvora em possuir e manter forças preparadas para tal mister, como são as forças armadas e mesmo as forças auxiliares. É assim que caminha o nosso mundo, no dizer antigo: “se queres a paz, prepara-te para a guerra”.

Em missão coadjuvante, as forças armadas e auxiliares podem ser utilizadas na manutenção e preservação da paz, em diferentes locais do Globo, a convite das Nações Unidas. Também podem ser convocadas para atuar nas chamadas atividades subsidiárias, como socorro a calamidades públicas, casos de enchentes, incêndios em florestas, pandemias, acidentes aéreos e de navegação no mar, e muitos outros.

No caso do Estado Brasileiro, país com imenso espaço físico e marítimo e diversidades de riquezas naturais, essas forças necessitam fazer uso da presença em todo o território nacional, para não haver vazio de poder, e uso da dissuasão, para desencorajar qualquer iniciativa que venha desconstruir a ordem estabelecida.

Por outro lado, o papel das forças armadas têm relevante significado para o desenvolvimento do Brasil, com contribuições em todas as expressões do poder nacional. Desde a contribuição social pelo serviço militar obrigatório, passando pelo impulso dado em setores de infraestrutura econômica e tecnológica, como na manutenção da democracia, um dos objetivos fundamentais eleitos ao longo da história brasileira.

Assim, não há dúvidas em responder a pergunta: “Forças Armadas, para quê?”.

Por fim, após a passagem do século XX, com duas grandes hecatombes mundiais, seguidas por longo conflito polarizado, também de alcance mundial, o despertar do III milênio vem valorizar e inspirar a utilização das forças armadas com o emprego da “mão amiga” em ações que elevem a dignidade humana, como as ações subsidiárias e a ajuda humanitária, bastante presentes em nossa época, para dar, enfim, testemunho e consagrar o sentimento humano pelo próximo.

por José Lucas de Silva Cruzado 6294

O CANHÃO E O ARADO

Luiz Emílio Leo *

Por estranhos caprichos se encontraram,
Em um velho galpão abandonado,
A terrível garganta de um canhão
E a afiada navalha de um arado.

De repente uma voz rompe o silêncio,
Fazendo estremecer todo o galpão.
Voz cavernosa, tétrica, sóbria;
Vinha da negra face do canhão.

“Diz-me, pedaço insignificante,
De ferro inútil por mal empregado: que
Fizeste no mundo, de que serves, qual o
Valor do que se chama arado.

Podes falar-me sem constrangimento
Diante de minha superioridade,
Quero também saber a tua história e o
Que fizeste pela humanidade”.

E a afiada lâmina do arado lançou a
Sua voz na escuridão; Falou com
Calma e com serenidade: “Ouve terrível,
Rábido canhão.

Julga-te superior e me desprezas.
Triste poder da força que assassina!
Há entre nós só uma diferença: Eu
Sou a construção tu és a ruína.

Porque blasonas superioridade, se tens
do sangue e do ódio a atroz missão?
Tu revolves a terra para morte,
Eu a terra revolvo para o pão”.

Sou o bem, tu és o mal. Paz e guerra!
Matas milhões para um herói criar;
Sacrifico a um só, lavrando a terra,
Para milhões com trigo alimentar.

* Prof Dr Luiz Emílio Leo foi lente em Português e Literatura no Colégio Lemos Júnior na cidade de Rio Grande – RS. Publicou o livro de poesias “Força e Beleza”, em 1943. O Canhão e o Arado é u ma das poesias do capítulo “A Biblioteca e o Arsenal”

por José Lucas de Silva Cruzado 6294

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Lei de Reprodução

Qual é o entendimento do Espiritismo para definir em que momento começa a vida?

Na questão 344, de O Livro dos Espíritos, a resposta é bastante clara: “A união começa na concepção (…) Desde o momento da concepção, o Espírito designado para habitar tal corpo a ele se liga por um laço fluídico que vai se apertando cada vez mais, até que a criança nasça (…)”

Seguimos destacando as principais ideias das perguntas e respostas que formam a “Parte Terceira”, do Livro dos Espíritos, intitulada “Das leis morais”.

Nos posts anteriores destacamos as Leis de Adoração e do Trabalho.

Vamos à Lei da Reprodução:

– “Sem a reprodução o mundo corporal pereceria.”

– “O homem, que apenas vê um canto do quadro da Natureza, não pode julgar da harmonia do conjunto.”

– “A origem das raças se perde na noite dos tempos. Mas, como pertencem todas à grande família humana, qualquer que tenha sido o tronco de cada uma, elas puderam aliar-se entre si e produzir tipos novos.”

– “Agora, dá-se o contrário: o homem faz mais pela inteligência do que pela força do corpo.”

– “Sendo a perfeição a meta para que tende a Natureza, favorecer essa perfeição é corresponder às vistas de Deus.”

– “Todo sacrifício pessoal é meritório, quando feito para o bem. Quanto maior o sacrifício, tanto maior o mérito.”

– “Todo sacrifício pessoal com vistas ao bem, sem qualquer ideia egoísta, eleva o homem acima da sua condição material.”

– “A ação inteligente do homem é um contrapeso que Deus dispôs para restabelecer o equilíbrio entre as forças da Natureza, e é ainda isso o que o distingue dos animais, porque ele obra com conhecimento de causa.”

No próximo artigo vamos conhecer um pouco mais sobre a “Lei de Conservação”.

Por Moacir Wilson De Sá Ferreira

Veja o artigo anterior – Lei do Trabalho

Veja o próximo artigo – Lei da Conservação

O MILITAR E A FÉ

   “Eu vos digo que nem mesmo em Israel achei uma fé tão grande”. Jesus

   O encontro de Jesus com o centurião romano em Cafarnaum, cidade situada na margem norte do Mar da Galileia, confirma a certeza de que é possível conciliar a profissão militar e a Fé.

   Militar é o indivíduo pertencente a alguma organização das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) como também às organizações militares das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares (Forças Auxiliares).

   O General Octávio Costa nos apresenta uma visão de carreira militar:

   – “A carreira militar não é uma atividade inespecífica e descartável, um simples emprego, uma ocupação, mas um ofício absorvente e exclusivista, que nos condiciona e autolimita até o fim. Ela não nos exige as horas de trabalho da lei, mas todas as horas da vida, nos impondo também nossos destinos.”

   Eis uma profissão de sacrifícios e de dedicação exclusiva, que não pode prescindir da Fé.

   E como definir a Fé?

   O Evangelho Segundo o Espiritismo, no Capítulo 19, item 3, elucida que a Fé “é uma convicção firme e inabalável de que algo é verdadeiro, mesmo sem nenhuma prova ou confirmação.”

   A Cruzada dos Militares Espíritas (CME) tem como missão atuar no âmbito das Forças Armadas e das Forças Auxiliares, procurando congregar, sob sua bandeira, os militares que professam o Espiritismo, conforme definido na Codificação Kardequiana, e que vivem dispersos por todo o País.

   Nesse sentido, a CME contribui para o fortalecimento da Fé dos militares nos preceitos evangélicos, evidenciando, mediante a sua atuação, a plena compatibilidade desses preceitos com o exercício da profissão militar.

   A Fé, portanto, é fator de suma importância para a realização pessoal e profissional do militar e não conflita, de forma alguma, com os deveres e obrigações que a profissão lhe impõe.

   Cel Cav R1 Moacir Wilson de Sá Ferreira

Por Moacir Wilson De Sá Ferreira

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Lei de Liberdade

“Haverá no mundo posições em que o homem possa jactar-se de gozar de absoluta liberdade?

Não, porque todos precisais uns dos outros, assim os pequenos como os grandes.”

(O Livro dos Espíritos, questão 825)

Seguimos destacando as principais ideias das perguntas e respostas que formam a “Parte Terceira”, de o Livro dos Espíritos, intitulada “Das leis morais”.

Nos posts anteriores destacamos as Leis de Adoração, do Trabalho, da Reprodução, de Conservação, de Destruição, de Sociedade, de Progresso e de Igualdade.

Vamos à Lei de Liberdade:

– “Desde que juntos estejam dois homens, há entre eles direitos recíprocos que lhes cumpre respeitar; não mais, portanto, qualquer deles goza de liberdade absoluta.”

– “Quanto mais inteligência tem o homem para compreender um princípio, tanto menos escusável é de o não aplicar a si mesmo.”

– “É contrária à lei de Deus toda sujeição absoluta de um homem a outro homem.”

– “No pensamento goza o homem de ilimitada liberdade, pois que não admite barreiras. Pode-lhe deter o ímpeto, porém, não aniquilá-lo.”

– “A consciência é um pensamento íntimo, que pertence ao homem, como todos os outros pensamentos.”

– “Assim como os homens, pelas suas leis, regulam as relações de homem para homem, Deus, pelas leis da Natureza, regula as relações entre Ele e o homem.”

– “A liberdade de consciência é um dos caracteres da verdadeira civilização e do progresso.”

– “Podem reprimir-se os atos, mas a crença íntima é inacessível.”

– “Toda doutrina que tiver por efeito semear a desunião e estabelecer uma linha de separação entre os filhos de Deus não pode deixar de ser falsa e perniciosa.”

– “Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina.”

No próximo artigo vamos conhecer um pouco mais sobre a “Lei de justiça, de amor e de caridade”.

Por Moacir Wilson De Sá Ferreira

Veja o artigo anterior – Lei da Igualdade

Veja o próximo artigo – Lei de justiça, de amor e de caridade