Páscoa e Ressurreição em Cristo

A Páscoa é considerada a maior e mais antiga festa do Cristianismo, em cuja cronologia destacam-se a Sexta-Feira Santa, que marca o dia da crucificação, e o domingo, com a ressurreição do Mestre.

A “ressurreição de Jesus” é um importante marco para a Fé cristã.

Ressurreição nos remete à ideia do retorno de alguém à vida após a sua morte. No sentido literal, essa palavra carrega o significado de que esse alguém pudesse ressurgir, erguer-se ou levantar-se de entre os mortos.

Encontramos na Páscoa e, consequentemente, na “ressurreição de Jesus” uma riqueza de símbolos que nos convidam à reflexão.

Segundo estudiosos, a palavra Páscoa teria origem no latim Pascha, apropriada do grego Πάσχα (Páskha), por sua vez empréstimo direto do aramaico PasHâ, língua semítica descendente do hebraico.

Acredita-se que foi empregada originalmente para designar o festival judaico, conhecido como “Páscoa judaica”, em comemoração ao Êxodo, ou seja, a libertação dos hebreus da escravidão no Egito antigo e a jornada, liderada por Moisés, rumo à “Terra Prometida”.

Eis o primeiro simbolismo: a saída da escravidão do Egito para a liberdade da “Terra Prometida”, que pode ser entendida como a jornada evolutiva para realizar a nossa verdadeira essência, o “Divino” em nós.

Nesse simbolismo, haveria a “morte” do velho (escravidão) e o “renascimento” do novo (libertação).

Libertação da escravidão dos sentidos, das paixões, dos condicionamentos e das ilusões pelo renascimento em Cristo.

Um verdadeiro rito de passagem.

O simbolismo da Páscoa cristã, que celebra a ressurreição de Jesus ocorrida ao terceiro dia após sua crucificação no Calvário, surgiu nos primeiros anos da década de 50, do século I, na carta do apóstolo Paulo, escrevendo de Éfeso aos cristãos de Corinto (I Coríntios, Capítulo V):

– “Purificai o velho fermento, para que sejais uma nova massa, assim como sois sem fermento. Pois, na verdade, Cristo, que é nossa páscoa, foi imolado. Por isso celebremos a festa, não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os asmos da sinceridade e da verdade.”

Esse simbolismo seria confirmado por Paulo em Efésios, 4:22-24:

– “Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade.”

Eis o significado da ressurreição para nós, espíritas:

– Ressurgir em Cristo, purificar o velho fermento (“velho homem”) para ser nova massa (“novo homem”).

Páscoa significa uma nova maneira de viver sem ser corrompido por desejos enganosos, renovar-se no modo de pensar, recordando que “pensamento é vida” e, pela reforma íntima, revestir-se do novo homem.

Uma abençoada Páscoa e que possamos renascer em Cristo!

Por Moacir Wilson De Sá Ferreira

Conheça a Biblioteca virtual do site da CME – Clique aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.