
Mensagem Maurícia 2004
De autoria do Cz 5.900, Coronel Dentista Ciro Francisco Amantéa, Coordenador do GED/Regimento Deodoro, em Itu, SP.
Maurício,
entregando-se ao sacrifício da própria vida junto com seus homens da “Legião
Tebana”, nos
idos de 286 da nossa Era, dá-nos o exemplo de Amor à Verdade
e
de Liberdade
de Consciência, ao
não render-se às determinações do imperador romano de então, que ordenava
franca adoração aos deuses pagãos.
No
item referente ao Amor
à Verdade vemo-lo
entregar-se sem qualquer temor à morte infamante, sem medos e sem remorsos. A
Verdade acima de tudo, e, para aquele homem de caráter puro de quem aliás já
se disse – “Serias
de ferro se não fosses cristão”, a
Verdade estava acima de qualquer outra prioridade. Em sua judiciosa concepção,
Cristo, cujos ensinamentos representam a Verdade, não poderia ser preterido em
favor de regras obsoletas. Devia obediência a César é bem verdade, a quem
jamais faltara, porém
as ordens do momento não diziam respeito ao seu trabalho profissional,
no qual sempre dera provas de ardor e coragem, mas a uma submissão injusta a
normas intolerantes de adoração a entidades com as quais todos os componentes
da valorosa tropa já não se identificavam. Jesus era seu novo guia nas
arrojadas jornadas da vida, e, evidentemente, quem tem por líder maior o Cristo
de Deus, não poderia aceitar a adoração a deuses arrogantes, ultrapassados,
repletos de vícios humanos. Quaisquer outras ordens que dissessem respeito ao
trabalho a ser feito seriam cumpridas com lealdade e arrojo, mas não aquelas
que se referiam a uma quebra do devotamento de Maurício e seus comandados aos
princípios da Verdade, de cujos paradigmas já se consolavam seus corações.
Maurício, que com toda lealdade já colocara a tropa a par da situação,
torna-se o fulcro do desenrolar de um dos maiores espetáculos de renúncia
coletiva, de estoicismo, de devotamento, de Amor
à Verdade, como
jamais se vira, rendendo-se à
morte com todos os seus homens.
No
que se refere ao item Liberdade
de Consciência, gostaríamos
de submeter à apreciação dos irmãos Cruzados a pergunta nº 837 de “O
Livro dos Espíritos”,
onde Allan Kardec propõe aos espíritos a seguinte questão: “Qual
o resultado dos entraves à liberdade de consciência?”
Responde o Espírito de Verdade: “Constranger
os homens a agir de maneira diversa ao seu modo de pensar, o que os
tornará hipócritas.
A Liberdade de consciência é uma das características da verdadeira civilização
e do progresso.”
Que maravilhosa e clara resposta, não é verdade? A hipocrisia, afirma o sempre
lembrado e querido filósofo Prof Herculano Pires em seu livro “Agonia
das Religiões”,
é o maior dos empecilhos das religiões. É justamente esta hipocrisia que o
Capitão Mauricio não tinha, consciente que era de suas obrigações e deveres.
Sua
estatura moral dava ao seu espírito a coerência que poucos possuem, jamais se
acomodando com atos injustos ou procedimentos indignos, mesmo que com isso a própria
vida seja posta em risco.
As
doutrinas devem se ajustar a esse procedimento estruturando-se de tal maneira a
oferecer aos seus adeptos o que de melhor podem para serem praticadas com
dignidade e zelo. É o que levou
Kardec
a formular a pergunta número 842 no mesmo livro fundamental da Doutrina Espírita,
interrogando aos espíritos:
“Como todas as doutrinas têm a pretensão de ser a única expressão da
verdade, por que sinais podemos reconhecer a que tem o direito de se apresentar
como tal?”
A resposta é objetiva:
“Essa será a que produza mais homens de bem e menos hipócritas,
quer dizer, que pratiquem a lei de amor e caridade na sua maior pureza e na sua
aplicação mais ampla. Por esse sinal reconhecereis que uma doutrina é boa,
pois toda doutrina que tiver por conseqüência semear a desunião e estabelecer
divisões entre os filhos de Deus, só pode ser falsa e perniciosa.”
Eis
as razões que levaram Maurício a seguir os ditames de sua consciência e não
se submeter a uma ordem injusta, arrogante e que desmerecia os valores que
cultuava. A Legião Tebana, não sendo hipócrita, não podia agasalhar
princípios que seus soldados já não admitiam em suas almas. Preferiram
morrer, entregar seus corpos, sabendo que não estavam entregando seus espíritos,
que fulgiam sob a luz do Cristo, atitude inusitada para outros tantos mas não
para aqueles que, como Maurício e seus soldados, têm na Verdade a sua grande
causa.
Irmãos
Cruzados, somos parte dos trabalhadores
da última hora,
convocados por Maurício, mensageiro de Jesus, que a seu mando nos induz à prática
do Bem, do Amor e da Caridade. Não é hora de falhar ou faltar à convocação que nos é dirigida.
Afirma
o Espírito de Verdade
em “O
Evangelho Segundo o Espiritismo”:
“Deus
faz, neste momento, a enumeração dos seus servidores fiéis. E já marcou com
seu dedo os que só têm a aparência do devotamento, para que não usurpem o
salário dos servidores corajosos. Porque é a esses, que não recuarem diante
de sua tarefa, que vai confiar os postos mais difíceis na grande obra de
regeneração pelo Espiritismo.”
Estejamos
preparados!